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Uma das grandes dúvidas que surgem a cada nova eleição municipal é sobre a quantidade de votos necessários para eleger um vereador. Afinal, como é feito o cálculo que vai definir quem serão os representantes da população na Câmara Municipal de sua cidade? O mistério acontece justamente porque, diferente do caso dos prefeitos, a relação entre a elegibilidade e o total de votos não é direta — ou seja, não basta ter um bom número de votos para se eleger. No caso dos vereadores, o cálculo de votos é feito com base no sistema proporcional. Mas como ele funciona?

O sistema proporcional de votação é, como o próprio nome deixa bem claro, computado a partir da proporcionalidade dos votos, levando em conta o número de eleitores daquela cidade e o total de vagas disponíveis no município. Isso é feito para garantir a composição de bancadas nas Câmaras Municipais e também para garantir que não apenas nomes fortes sejam eleitos, dando uma maior pluralidade ao Poder Legislativo de cada cidade. Dessa forma, por mais que você vote no candidato A ou B, o voto acaba indo para o partido ao qual ele está filiado e é com base nos quocientes eleitoral e partidário é que é definido se alguém vai ser ou não eleito.

Calculando os votos

Como cada cidade possui uma realidade própria, é impossível dizer com exatidão quantos votos são necessários para eleger um vereador. Para isso, precisamos fazer alguns cálculos. A boa notícia é que as contas matemáticas são simples.

Vamos simular uma eleição em uma cidade em que os candidatos estão disputando a uma das 10 vagas disponíveis. Ao todo, essa cidade teve 2.000 votos válidos, ou seja, que não foram brancos ou nulos. Com esses dois números, conseguimos definir qual o quociente eleitoral, que é a relação entre o número de votos e o de vagas disponíveis. Basta dividir um pelo outro. No nosso caso, o quociente eleitoral é de 200 (2.000 votos válidos/10 vagas disponíveis = quociente eleitoral de 20).

O quociente eleitoral é usado para definir o quociente partidário, que define quantas vagas cada partido terá direito naquela eleição. O cálculo é feito a partir do número de votos que determinado partido recebeu em relação ao quociente eleitoral calculado anteriormente.

No caso dessa eleição que estamos simulando, imagine que os candidatos do Partido A tiveram um total de 600 votos. Isso significa que seu quociente partidário será de 3 (600 votos para candidatos do partido/200 do quociente eleitoral = quociente partidário de 3). Isso significa que o Partido A vai ocupar três das dez vagas disponíveis para vereador nessa cidade — e são os três candidatos mais bem votados desse partido que serão eleitos.

Fui bem votado, mas não fui eleito

É esse cálculo que confunde muita gente. Isso porque é muito comum vermos candidatos com bons números de votação não serem eleitos. Isso acontece porque o seu partido não conseguiu votos o suficiente para garantir um bom quociente partidário.

Esse cenário acontece principalmente por causa dos chamados “candidatos que puxam votos”. Nessa eleição, o Candidato Z pode até ter sido muito bem votado na cidade, mas pode acabar perdendo a vaga para os Candidatos B e C que tiveram resultados menores se o Candidato A conseguiu agregar mais votos e elevar esse quociente partidário. Se o partido do Candidato Z não acumulou votos o suficiente com outros candidatos, ele pode ser prejudicado. Em uma eleição proporcional, um partido forte vale tanto quanto um candidato popular.

 

teve um total 2.000 de votos válidos (ou seja, que não foram brancos ou nulos) para vereadores que disputam 10 vagas

Isso significa que não basta ter uma boa quantidade de eleitores colocando o seu número na urna, mas se encaixar também em

 

Para isso, são necessários alguns cálculos simples que ajudam a definir

 

é utilizado o chamado quociente eleitoral. Trata-se de um cálculo matemático que leva em consideração o número de votos válidos daquela eleição e o número de vagas disponíveis.

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